A Educação Interprofissional em saúde na Região das Américas

Nos últimos dois anos, observam-se avanços na incorporação da Educação Interprofissional (EIP) nas políticas de recursos humanos para a saúde dos
países da região das Américas.
A Organização Pan-Americana da Saúde – Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) tem estimulado seus Estados Membros para que se apropriem da abordagem e apoiem os formuladores de políticas para ampliar o seu uso.
Recentemente aprovou a Estratégia de Recursos Humanos para o Acesso Universal à Saúde e a Cobertura Universal de Saúde, por meio da Resolução CSP29. R15, que encoraja os países a promoverem o desenvolvimento de equipes interprofissionais nas redes de serviços por meio da EIP e a diversificação dos cenários de aprendizagem, com enfoque na pesquisa, no intercâmbio de experiências e na cooperação.
A OPAS/OMS tem adotado uma série de iniciativas para apresentar aos formuladores de políticas propostas para que se estabeleçam compromissos para incorporar a EIP como uma abordagem inovadora para a transformação dos sistemas de saúde, tendo como referencial a estratégia supracitada.
Dentre as ações, nos dias 05 e 06 de dezembro de 2017, realizou-se a segunda reunião técnica regional sobre EIP, sediada na cidade de Brasília, Brasil. O evento, organizado em conjunto com o Ministério da Saúde do Brasil, contou com a participação de representantes de diferentes partes do mundo, sendo 22 deles de países da Região das Américas. A finalidade da reunião foi discutir os processos de implementação da EIP nas políticas de recursos humanos para a saúde, estabelecer uma agenda comum para fortalecer a EIP na Região das Américas, estimular a elaboração de planos de ação para a execução da abordagem, além de formalizar a constituição da Rede Regional de Educação Interprofissional das Américas e a aprovação de suas diretrizes.
Como resultado, 18 países apresentaram planos de ação para a implementação da EIP em suas políticas de saúde, a serem desenvolvidos entre os anos de 2018 e 2019. Os conteúdos das propostas, em sua maior parte, contemplaram aspectos que denotam o claro compromisso dos governos em definir políticas nacionais que estimulem a adoção da EIP pelas instituições de educação e saúde, promovendo atividades para o fortalecimento do apoio institucional, para revisão de conteúdos curriculares e o desenvolvimento de um corpo docente apto para trabalhar com a EIP.

Segundo o Marco para a Ação em Educação Interprofissional e Prática Colaborativa, da Organização Mundial de Saúde, do ano de 2010, a EIP pode ser difícil de explicar, compreender e implementar, pois os profissionais de saúde acreditam estar atuando de forma colaborativa, quando, na verdade, trabalham simplesmente junto com outros profissionais, em uma perspectiva multiprofissional. Todavia, o que se vê na Região das Américas, após oito anos dessa publicação, é que o tema vem ganhando visibilidade e alcançando as pautas de discussões nos níveis políticos e acadêmicos.

O desafio agora é dar continuidade ao que se tem programado. E já há resultados. A Rede Regional de Educação Interprofissional das Américas (REIP)
(5), coordenada por Argentina, Brasil e Chile, apresentou sua candidatura para se tornar membro do Comitê Mundial de Coordenação “All Together Better Health” (WCC-ATBH), que é uma organização constituída por redes regionais centradas no tema da educação e práticas interprofissionais em saúde, e inclui representantes em todo o mundo, o que poderá fortalecer, sobremaneira, o intercâmbio de experiências sobre a EIP na Região das Américas.
O Brasil avança com propostas para a incorporação de temas nas diretrizes curriculares dos cursos de graduação na área da saúde e na formulação de iniciativa para a qualificação docente, assim como Bolívia, Cuba, Chile, Honduras e Peru. Argentina e a Guiana discutem propostas para realização de pesquisas na área. Por sua vez, Guatemala, Nicarágua, Panamá e Venezuela têm apresentado estratégias para a qualificação dos profissionais dos serviços de saúde, fazendo uso de bases teóricas e metodológicas da EIP.
Alguns países propõem a constituição de Redes Nacionais de EIP, como República Dominicana e Suriname, enquanto outros estão reconhecendo a do tema na realidade nacional por meio da realização de levantamentos, como o Paraguai, o Uruguai, a Colômbia e Costa Rica.
O que se espera é que os países possam, de fato e por meio da cooperação com a OPAS/OMS, implementar a EIP como potencial abordagem para o fortalecimento dos sistemas de saúde, pois no atual contexto global, aos profissionais de saúde já não lhes bastam mais ser profissionais, também precisam ser interprofissionais.